O povo se encontrava no
deserto e estava sozinho a cerca de 40 dias. O deserto: local desconhecido, sem
recursos, sem conforto, representava o momento de transição de um modelo de
vida escravocrata, no Egito, para o de adoração em liberdade ao Santo de Israel.
Javé prometeu que seu povo herdaria uma terra produtiva, agradável, deleitosa
como diz as escrituras: “...que mana leite e mel...”. Desde que: em primeiro
lugar confiasse na sua Palavra (sendo que para o povo de Israel isto
significava obedecer as orientações do Profeta Moisés) de todo o coração crendo
que o SENHOR cuidaria deles até a terra prometida e que não os deixaria perecer
no deserto; e por fim, que não se deixasse contaminar com a cultura e os
hábitos dos povos locais, mas sim fosse luz para as nações.
O sumiço de Moisés fez o povo experimentar uma sensação de abandono e
desamparo: DEUS SILENCIOU. Diante disto, as Escrituras relatam que o povo numa
tentativa desesperada de busca de um guia, de uma referência, de um símbolo que
os conduzisse naquele ermo criou “deuses”. O texto afirma expressamente no
livro de Êxodo capitulo 32 que eles entregaram as suas jóias e pediram ao
sacerdote Arão que as derretesse e moldasse um bezerro de ouro para que fosse a
sua frente na jornada.
No artigo produzido pela psicóloga cristã, Karin Wondracek intitulado “
A Criação da Imagem de Deus” a autora
tece em seu comentário com base no estudo das Massas e Análise do Ego de Freud,
que a experiência coletiva do povo de Israel é uma representação do que o bebê
tenta fazer no seu desamparo. Em suas palavras a escritora explica:
“Quando a mãe, que
é fonte de amor e alimento, demora, o bebê também constrói uma imagem, a partir
das suas "jóias" internas, suas lembranças das mamadas anteriores: o
bebê alucina a situação satisfatória de mamada, e esta alucinação o acalma por
um tempo, até que a fome se manifeste de um modo tão atroz que seja necessária
a alimentação e a presença concreta da mãe.”
Diante disto vamos ao ponto: Todos nós
estamos sujeitos as vicissitudes que a vida nos impõe: desemprego,
relacionamentos pessoais quebrados dentro de casa, solidão, vícios, depressão,
doenças, baixa autoestima, sentimento de abandono, perseguição, discriminação e
etc. Nestes “desertos” somos tentados diante da “demora” ou do silêncio de Deus
a construir deuses entregando lhes os nossos maiores tesouros; adotamos
integralmente os métodos do mundo para resolver as coisas, nos associando aos “deuses”,
a cultura e aos hábitos dos “cananeus”. Em
consequência disto prostituímos a nossa fé no Senhor. Pois, não conseguimos
compreender que o deserto não é para nos destruir e sim nos aperfeiçoar, como
diz a Palavra de Deus:
“Meus irmãos, tende por motivo de
toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa
fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação
completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.” Tg 1. 2-4
Não
obstante, para piorar, perdemos a compreensão num Deus gracioso e bondoso que
quer o nosso bem, como aconteceu com aquela geração no deserto. E este pecado
foi literalmente, mortal (Hb 3.12-19).
Irmãos! Diante
desta sensação não nos comportemos como o “bebê” de Freud, mas preservemos o
sentimento de perseverança estimulado na Palavra de Deus. Meus amigos, os
desertos são inevitáveis, não há atalhos para as bênçãos de Deus. Não entregue
suas joias a deuses impostores que se apresentam com soluções engenhosas, ou
propostas escusas, imorais e sem a aprovação de Deus. O Senhor neste dia convida-nos a abandonar os "bezerros de
ouro", construídos a cada experiência de sensação de desamparo, para que sejam
destruídos e pulverizados, a fim de não se correr o risco de andar em círculos_viciosos
e neurotizantes_ na sua caminhada de fé.
Que o Senhor derrame sobre os vossos corações
a Paz que excede a compreensão humana guarde os vossos corações,
Seminarista Mário Jorge.
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