quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Resenha Crítica (por Mario Jorge)

Queridos irmãos segue mais uma resenha que nos convida a pensar no papel do ministro do evangelho. Que esta leitura vos seja útil e que o Senhor vos abençoe e ilumine os olhos do coração.

Resenha Crítica
PETERSON, Eugene H. A Vocação Espiritual do Pastor: redescobrindo o chamado ministerial. São Paulo: Mundo Cristão, 2006. Comprando a passagem para Tarsis, pp 21-40. Nascido em 1932, no estado de Washington (EUA), ainda jovem mudou-se com a família para Montana, onde foi criado. Casou-se com Janice Stubbs, com quem teve três filhos: Karen, Eric e Leif. Graduou-se pelo Seminário Teológico de Nova York e pela Universidade John Hopkins. Em 1962, fundou a Igreja Presbiteriana Cristo Nosso Rei, em Maryland. Em janeiro de 1993, tornou-se docente em Teologia Espiritual no prestigiadíssimo Regent College, no Canadá, onde atualmente é professor emérito.
Conforme o comentário de Ricardo Agreste em seu ensaio no site Monergismo, intitulado de “Ser pastor hoje: Reflexões sobre o pensamento de
Eugene H. Peterson acerca da vocação pastoral”, o autor ressalta a dinâmica da tensão vivida pelo pastor no seu cotidiano entre conduzir a administração da igreja e executar a tarefa segundo Agreste esquecida: curar almas.
Neste sentido a figura do pároco se confunde com a de um líder motivacional ou gerente eclesiástico (até porque as pessoas esperam que eles façam isso). A máquina administrativa torna-se o seu alvo e a gestão o “meio de graça” entre a comunidade e “deus”. Em ultima análise o sacerdote acaba que conduzindo o povo a uma espécie de idolatria de processos e resultados, enquanto alguns vão morrendo-esfriando lado a lado. Uma vez indagado sobre seu papel como pastor Peterson respondeu: “... o meu trabalho não é resolver os problemas das pessoas, ou torna-las felizes, mas ajuda-las a enxergar a graça de Deus operando em suas vidas”.
O texto tem como objetivo a desconstrução de mitos e o resgate da essência do chamado pastoral. Nesta empreitada o autor se depara com questões que circunscreve o labor espiritual e porque não dizer a sua própria espiritualidade. O problema pode ser inferido na seguinte questão: como ser um pastor e cumprir cabalmente o ministério o qual foi chamado sem tropeçar nos vazios existenciais entre a fé pessoal e a vocação eclesiástica. Sendo a última o epicentro de Peterson no que tange o aspecto da santidade. Para o teólogo santidade vocacional contrasta com a idolatria da carreira.
No livro a vocação espiritual do Pastor, o autor analisa a liderança pastoral dos nossos dias usando como contexto histórico e metafórico a vida vocacional de Jonas. A dificuldade de entender a direção que Deus lhe dava ao seu ministério; sua desobediência em caminhar na direção a qual o Espirito lhe ordenava; e finalmente, a rivalidade com aqueles que eram objeto da graça de Deus e ironicamente alvos da ira do profeta. Em síntese o homem vocacionado por Deus atende ao seu chamado e caminha na direção que o soberano aponta. Não estabelece juízo e nem escolhe publico, tarefa e nem lugar. Só atende a voz que chama para proclamar as verdades da Graça de Deus. Esse é um recado relevante para todos aqueles que aspiram ao sagrado ministério.
Abraços.
Mário.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

A íncrível habilidade de ser o menor

Para que você cogite a possibilidade de ensinar, você tem que ser primeiro uma pessoa apaixonada pela aprendizagem.
Ensinar sem aprender é impossível.
Seja humilde para aprender e ensine sem arrogância.
Seja consumido pelo conhecimento, mas nunca julgue tê-lo alcançado por inteiro.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Como temos vivido?

COMO TEMOS VIVIDO?

Nós vivemos a vida inteira à procura da felicidade! Lemos livros e assistimos palestras de auto-ajuda, procuramos fazer apenas aquilo que manda o nosso coração, mas eu vos digo que este não é o segredo da felicidade.

Jesus disse que aquele que perdesse a sua vida iria achá-la e isso é uma verdade libertadora demais se for vivida de coração. 

Quando passamos não a integrar uma religião, ou a frequentar uma igreja evangélica, ou a tentar cumprir tudo o que manda a Bíblia manda por obrigação; mas quando passamos a ter uma obediência amorosa por Deus, amando o que ELE ama e odiando o que ELE odeia, assim descobrimos o caminho da verdadeira felicidade. 


Deus tem paz, alegria e satisfação eterna de alma no caminho da auto-negação! 

Se você nunca experimentou isso, ore e peça a Deus para que ELE abra os seus olhos para a verdadeira alegria! 

Graça e Paz.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Em Dias de Reforma...

QUINQUAGÉSIMA TESE:


Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com A PELE, A CARNE E OS OSSOS DE SUAS OVELHAS.

OCTAGÉSIMA TESE:

Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para em troca de vil dinheiro justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da capela de S.Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante insignificante?


(Martin Lutero) 


Martinho Lutero é, sem dúvidas, o personagem que eu mais admiro na história da Igreja Cristã. Sua coragem, inteligência, inspiração, devoção e zelo são absolutamente comoventes. 

Nos dias de hoje, Martin Lutero seria considerado pela maioria, quase que absoluta, dos cristãos como um herege, um impuro ou desgraçado, tendo em vista que Martin desafiou e desmascarou o papa(Autoridade Máxima da Igreja Romana) e muitos do nosso meio dizem que não se pode apontar os erros da autoridade constituída. 

Martin Lutero preferiu amar a Deus, zelando pela Verdade da Sua Palavra, do que perseverar em um amor encegueirado pelo "ungido do senhor" deixando que o povo pobre continuasse a ser explorado e continuasse a perecer sem fé salvífica, já que o mesmo era privado do conhecimento das Sagradas Escrituras.

Martin, inconformado com o contexto religioso da época, usou de uma estratégia acadêmica para tentar acabar com os absurdos que eram praticados em nome de Deus, vindo a pregar nos portais da Capela de Wittenberg o texto conhecido até hoje por "As 95 Teses", onde dissertou sobre o abuso da autoridade papal(que se colocava acima das Sagradas Escrituras) e, principalmente, contra a vendagem de indulgências. Através deste escrito, Lutero deu início à maior revolução que humanidade já viu, a Reforma Protestante.

O objetivo de Lutero era encerrar com as autoridades ilimitadas que os homens diziam ter em nome de Deus, abandonar todo e qualquer tipo de tradicionalismo e palavra humana que contradissesse as Escrituras e por fim à comercialização da Fé Cristã realizada em larga escala pela Igreja de Roma, que objetivava arrecadação financeira para a construção da Basílica de São Pedro.

Lutero lutou bravamente, não temendo a morte, e muitos aderiram à sua causa, dentre eles destacam-se o Prícipe Frederico, Felipe Melancton e Spalatino. A Reforma ganhou o mundo e não trouxe influências só ao mundo religioso, todavia áreas como ciência, economia, política - valendo ressaltar a conquista do estado de laicidade ao redor do mundo - e, pricipalmente, educação ganharam nova vida após o movimento de Lutero.

Hoje, infelizmente, muitos dos cristãos, ditos protestantes, não valorizam mais esta história tão bela que nos cercou de vários benefícios. Hoje podemos ler as Escrituras no nosso próprio idioma, à hora que bem entendemos; podemos confessar os nossos pecados, tendo a Cristo como único mediador; podemos sentir a paz do perdão pela simples confiança no infinito tesouro de indulgências que Cristo adquiriu por nós na Cruz do Calvário; e ainda mais, aprendemos a contar com a Graça de Deus, com Seu favor imerecido, aprendemos a crer num Evangelho em que tudo depende de Deus e nada do homem.

Não despreze esta história que marcou a sua, a minha, a nossa vida. Agradeça a Deus diariamente, não só com palavras, mas com atitudes; leia as Escrituras; ore; procure o conhecimento, sempre lembrando da veracidade da Bíblia e meça cada detalhe da sua vida através das Sagradas Escrituras.

Deus usou Martin Lutero para trazer luz em um período de trevas. Não saia da luz, mas corra das trevas.

"Post Tenebras Lux"


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Post de Abertura

Meus irmãos, 

É com imenso prazer que trago o texto de abertura do nosso Blog, Café de Graça. O texto é de autoria de nosso irmão Mário Jorge e foi seu trabalho da disciplina HISTÓRIA DA IGREJA I, cursada no Seminário Presbiteriano Reverendo Ashbel Green Simonton. Uma ótima leitura a todos, que Deus os abençoe grandemente. 


Felipe Eler



O texto abaixo visa tratar os principais aspectos da doutrina oriunda da reforma luterana como a Justificação Pela Fé Somente e a Predestinação concluindo com um breve comentário biográfico com base no texto de Costanza (2012). 

De Simul a Semper: a Justificação pela Fé Somente



               A justificação pela Fé somente é desenvolvida com proposito de dirimir o paradoxo dialético estabelecido entre a lei e o evangelho. Timothy George afirma que: “a polaridade lei-evangelho é entendida conjuntamente: tanto a lei quanto o evangelho são essenciais à salvação”. Conforme citado pelo autor, Lutero entendia que essa não era simplesmente uma doutrina entre outras, mas "o resumo de toda a doutrina cristã", "o artigo pelo qual a igreja se mantém ou cai". Lutero reconhecia também a dificuldade de se defender tal doutrina e ensina-la adequadamente. Tal fato acentua a relevância ainda maior da exposição do artigo.

               Em meios aos desmandos da igreja com a controvérsia das indulgências em 1517 e suas constantes crises de consciência diante da Lei de Deus, ele rompera com a metodologia Escolástica a favor da teologia bíblica. O resultado disto se deu com a conclusão o perdão era um Dom divino, e não dependia da meritocracia humana. Evidentemente, a compreensão teológica do Dr. Martin Lutero foi fruto de um processo de reflexão o que se iniciou com os conselhos de seu mentor Staupitz, passando pelas ideias do nominalismo, misticismo alemão e por fim o processo de justificação gradual de Agostinho.

               Antes disso, faz-se necessário entender o conceito de justificação na ótica da Teologia Medieval-Patrística. A doutrina cristã acabou que absorveu a compreensão ontológica do relacionamento do divino com o humano. Consequentemente a Soteriologia Patrística se baseava na salvação como processo de deificação que pode ser expressado nas palavras de Atanásio que diz: "Cristo tomou-se homem para que nós pudéssemos nos tornar deuses". Tal assertiva tem seus desdobramentos que podem ser apresentados como o processo de cura do ser humano que se encontra enfermo pelo pecado. Como afirma Timoty: 

“Para Agostinho, também, a infusão da graça pelo sistema sacramental-penitencial da igreja continuava o processo da justificação iniciado no batismo. Nesta vida, o cristão é sempre um viator, um caminhante, que permanece suspenso entre a graça de Deus, revelada em Cristo e mediada pelos sacramentos, e o julgamento de Deus, pairando sobre sua cabeça como uma espada escatológica de Dâmocles, sempre questionando sua condição espiritual presente. 
Na teologia escolástica, a doutrina da justificação foi ainda mais aperfeiçoada por meio da distinção entre "graça real" e “graça habitual". A graça real concedia o perdão dos pecados reais, desde que declarados na confissão. Mas a graça real não era suficientemente forte para remover a culpa do pecado original ou para transformar o pecador ontologicamente. Isso requeria a infusão da graça habitual, que conferia à alma uma qualidade divina, capacitando a pessoa a realizar atos justos. A graça habitual era graça pura e não o resultado de méritos.”

               Quanto a sua influência provinda do nominalismo destaca-se a distinção entre o poder absoluto e o poder ordenado. O primeiro significava que Deus poderia fazer qualquer coisa que não entrasse em contradição com a sua palavra e o ultimo, se refere aos instrumentos, mecanismos que Deus lança mão para cumprir a sua vontade e propósito. O resultado do nominalismo em sua teologia foi que Deus em sua encarnação, paixão e morte e ressurreição ofereceu Graça a todos que todos que fizessem o melhor possível. Indubitavelmente, o seu rompimento com as ideias de Beil foram fundamentais para a formação da doutrina da Justificação.

               Quanto a influencia proveniente do misticismo podemos citar o teólogo dominicano Johannes Tauler , em 1516. O monge alemão entendeu a necessidade do homem amoldar-se à humilhação e aos sofrimentos de Cristo. Adicionemos, a ideia de passividade e submissão total do homem diante de Deus também como contribuição dos místicos. Tal pensamento culminava no resultado que a medida que o homem era justificado ele saia do estado de homo viator para homo deificatus.

               O autor comenta corretamente que a doutrina da justificação foi resultado de um processo de reflexão que perpassaram linhas de pensamento que serviram como “aio”, para que o nosso reformador define-se a sua tese. Não obstante, ter se utilizado do aparato teológico agostiniano, uma das mais importantes contribuições foi o abandono da estrutura agostiniana de justificação. A ruptura de Lutero com Agostinho desdobrou-se na negação da justificação progressiva, isto é, “a imputação da justiça alheia de Cristo baseava-se não na cura gradual do pecado, mas na vitória completa de Cristo na cruz”, assim afirmou Lutero. Ou seja, quando nos apropriamos da Graça de Deus somos declarados justos.

               A conclusão do Teólogo reforma do é que O cristão não é apenas justo e pecador ao mesmo tempo, mas é também sempre ou completamente justo e pecador ao mesmo tempo.



Deixem Deus Ser Deus: a Predestinação




O primeiro teólogo a formular uma doutrina sólida sobre a predestinação foi o Bispo africano Agostinho de Hipona. Sua teoria foi desenvolvida tendo como base a motivação da disputa teológica com o seu opositor Pelágio. Conforme as palavras de Timothy abaixo:

“Para Pelágio, a salvação era uma recompensa, o resultado das boas obras livremente realizadas pelos seres humanos. A graça não era algo diferente ou além da natureza, nem acima dela; a graça estava presente dentro da própria natureza. Em outras palavras, a graça era simplesmente a capacidade natural, que todos possuem, de fazer a coisa certa, de obedecer aos mandamentos e assim obter a salvação. Agostinho, por outro lado, via um grande abismo entre a natureza, em seu estado caído, e a graça. Profundamente cônscio da impotência total de sua própria vontade em escolher corretamente, Agostinho entendia a salvação como a livre e surpreendente dádiva de Deus: "Atribuo à tua graça e misericórdia, porque dissolveste meus pecados como se fossem gelo". Se, entretanto, a fonte de nossa conversão a Deus reside não em nós mesmos, mas somente no bom prazer de Deus, por que alguns reagem positivamente ao evangelho, enquanto outros o desprezam? Essa pergunta levou Agostinho à discussão paulina da eleição, exposta em Romanos 9-11. Aqui ele encontra a base para sua própria doutrina "cruel" da predestinação: da massa da humanidade decaída, Deus escolhe alguns para a vida eterna e omite outros que estão, assim, destinados à destruição, e tal decisão é feita independentemente de obras ou méritos humanos.”.

               Percebe-se em função disto uma espécie de agostinianização do cristianismo que foi rompida posteriormente com o desenvolvimento da doutrina de Justificação pela Fé na ótica de Lutero estabelecendo assim um antagonismo com a perspectiva medieval sobre a matéria.

               A formulação desta doutrina é tão relevante que a mesma foi responsável pela excomunhão do reformador o qual fez a seguinte declaração na disputa de Heidelber em 1518: "Depois da queda, o livre-arbítrio existe apenas nominalmente, e, enquanto alguém 'faz o que está em si', está cometendo um pecado mortal". 

               A cruz é a chave teológica para compreensão do mistério da predestinação. Observando por outro prisma, a relação da Graça de Deus com a questão da volição humana se finda a medida que Deus torna o homem livre para adora-lo em espirito e em verdade e ao próximo sem nenhuma intenção subjacente interesseira.

               A biografia de Lutero pode ser resumida nos seguintes pontos a seguir: a decisão de entrar em um convento agostiniano; a ordenação ao sacerdócio católico Romano com o apoio de seu mentor espiritual – John Von Stauptiz; visita a cidade santa e sua indignação com a depravação das ordens clericais e indulgências, e por fim, o ingresso na Universidade de Wittemberg dando novos significados às principais doutrinas cristãs, reformulando.