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domingo, 6 de abril de 2014

Resenha: O Caminho Missionário de Deus (por Mario Jorge)

Resenha
CARRIKER, C. Timoteo. O Caminho Missionário de Deus. –Editora Sepal- São Paulo. Carriker é ministro da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América e Pastor Associado à Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Possui 37 anos de atuação na área de Missiologia Bíblica, tendo vastíssima experiência lecionando em diversos cursos de pós-graduação nesta disciplina.
 Efésios 1.6-10:
 “para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra.”.

O livro se preocupa inicialmente em conduzir o leitor a compreender que sem revelação não há missão. A bíblia é um livro missionário no sentido lato sensu e a narrativa no texto canônico aponta para um Deus que assume a missão de resgate da humanidade como um propósito seu. Nesta obra o autor percorre o velho (a criação, a escolha de um povo para testemunhar as nações) até o novo testamento (o cumprimento da vinda do messias e a proclamação da sua mensagem redentora aos gentios) com o objetivo de demonstrar que a revelação divina expressa por meio das escrituras sagradas evidencia um Deus generoso ávido por amar a humanidade.  Yahweh (יהוה) anuncia através do seu povo os seus atos divinos como: a criação, a tragédia da queda, a sua salvação (através de Jesus Cristo) e a restauração de todas as coisas com o estabelecimento completo do seu Reino. O autor esclarece que se de um lado a identidade do povo de Deus e sua missão concursam para mesma direção, por outro se percebe um aumento da crise da vocação daqueles que foram chamados por Deus.
Carriker afirma que atender a mensagem profética da Palavra de Deus é o que importa. Para isso, os eleitos precisam se debruçar sobre o texto sagrado com corpo, mente coração e espírito. Neste processo instrutivo, alguns paradigmas são desafiados a serem abandonados como, por exemplo, uma soteriologia que centraliza ou o privilegia povo semítico. Tal crítica pode ser resumida nas palavras de Johannes Blauw (1966):
“... toda a história de Israel nada mais é do que a continuação do trato de Deus com as nações e que, portanto, a história de Israel só pode ser entendida na perspectiva do problema não resolvido da relação de Deus com as nações.”

O escritor coloca no epicentro da discussão missiológica o reordenamento escatológico da criação, tendo como pressuposto teológico a aplicação do conceito de imago Dei no seu sentido lato sensu. O desdobramento desta tarefa escatológica compreende a relação entre o vice Regente (o homem) e o cosmos nas seguintes áreas: a experiência social e familiar; a responsabilidade econômica e ecológica e o governo. Tais interações, segundo Abraham Kuyper podem ser sintetizadas em dois mandatos: o cultural e o redentor. O primeiro se aplica a toda a humanidade e o ultimo a humanidade redimida, elevando o homem do estado de miséria ao da Glória prometida pelo Deus triuno. 
Timoteo não deixa escapar de vista que a ação missionária tem um preço a ser pago: o discipulado. Este quando feito com sinceridade de coração sempre traz como consequências perseguições, como foi na vida de Jesus. Discipulado não se faz sem testemunho cristão. Neste ponto as nossas comunidades cristãs nos dias atuais tem falhado (por conta da sua apostasia, resultado do afastamento da reflexão bíblica), a despeito de sabermos que o Senhor da Igreja cumprirá cabalmente a sua promessa, avivando o seu povo, no poder do Espírito Santo.
Finalmente, a questão proposta é trivial: a quem testemunhamos? Jesus, O Cristo. O Logos encarnado. A Expressão máxima do amor de um Deus desconhecido para muitos. Não obstante, Ele anseia salvar o homem de forma integral, anunciando um novo padrão de justiça, cuja plataforma é o amor e a misericórdia. Por fim, nas Escrituras Sagradas Carriker apresenta aos seus leitores um Deus universal, cuja catolicidade se resume nas palavras de Richard De Ridder (1975):
“O cristão nunca pode ver o mundo a não ser no contexto de Deus como o Deus de todos os homens, o mundo todo como sujeito a ele e a história como a esfera da sua atividade redentora. Enquanto é verdade que o descrente tem alguma perspectiva mundial, é impossível descobrir o relacionamento histórico próprio dos eventos mundiais sem fé em Deus e referência a quem pertence o céu e a terra.”.